quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Você enfrentaria a morte da pessoa importante de modo japonês!?


  Ao caro leitor

  Você já perdeu alguém muito importante na sua vida?

  Caso sim, como você enfrentou essa realidade?

  Hoje gostaria de lhe apresentar como os japoneses enfrentam as mortes das pessoas importantes.


  Uma das maneiras tradicionais será através do altar residencial ( Butsudan ).


  Hoje em dia, talvez você não possa vê-lo nas casas onde os jovens moram, pois as gerações novas ( inclusive minha geração ) estão ficando cada vez menos religiosas.

  Eu me lembro de que tinha altar na casa da avó.Todas as manhãs ela colocava uma tigela com arroz no altar e rezava colocando duas palmas juntas na frente do rosto dela após uma batida na tigela especial com um bastão de chumbo.

  "Chiinn...." ( é som da tigela )

  Quando eu era criança, eu não entendia porque a minha avó colocava arroz ou alguma comida que ela fez todos os dias, pois falecido não tinha comer essas coisas. No entanto, agora eu entendo que ela tratava seu marido falecido ou seus antecessores como se fossem vivos. Desse jeito, as pessoas importantes dela sempre estavam vivendo no coração dela.

  Ou seja, o altar era uma porta através da qual a avó podia se comunicar com as pessoas que estão no outro mundo.

  Eu já perdi avôs e avós da parte do pai e da mãe. Entretanto, como eu não convivia som eles, as mortes deles não me deram tanta tristeza e nem tenho experiência de enfrentar mortes dos amigos íntimos.

  Portanto, eu não sei exatamente como é a sensação de perder alguém importante na vida.Acredito que seja muito sofrido.

  Só que tenho certeza que conversar com pessoa importante na vida através do altar deve ser uma das melhores maneiras para me tranqüilizar, apesar de não saber se poder colocar comida todos os dias que nem minha avó.

  Por outro lado, no Brasil eu não vejo o costume parecido com esse nos costumes brasileiros. Como os brasileiros enfrentam as mortes das pessoas importantes?

  Acredito que alguns devem ter ido às missas nas igrejas e outros devem ter feito consultas com psicólogo nas clínicas. Mas, não vejo nenhuma prática religiosa nas suas residências.

  Como eu já tratei num post deste blog, o brasileiro deve ser um povo que importa mais a vida atual do que vida após a morte.

  Por falar no ritual em relação ao antecessor, há dia de finados no Brasil,ne? Como eu nunca participei desta cerimônia aqui, eu não sei como é e como é visto pelo povo brasileiro.

  Mas,gostaria de lhe informar que há dia de finados no Japão também, o que se chama “Obon”.

  Obon não tem data determinada, mas cai no dia por volta do dia 15 de agosto. E haverá uma feriadão chamada “Obonyasumi”, na qual a grande maioria do povo japonês volta para sua cidade natal, onde seus pais moram e há túmulo da família, com a intenção de “encontrar” com seus antecessores no túmulo.

  Todos os anos o jornal de TV no Japão relata quanto congestionamento tem na rodovia,ferrovia e aeroporto no Japão inteiro nesta época de Obon...


  Como todos os parentes moravam bem perto de tóquio no Japão, essa ritual de Obon não influenciou a minha família e não tínhamos costumes de viajar nesta época. Eu até tinha inveja dos meus amigos que viajavam para interior nesta época.

  O túmulo da minha família fica dentro de um templo de tóquio. Eu fui lá só 2,3 vezes acompanhando meus pais até agora. Eu já tenho um lugar reservado para eu ser enterrado após a morte.;)


  A foto acima é o típico túmulo que você vai ver no Japão.( * Não é meu....)
  
  ;)



Comentários
12 Comentários

12 comentários:

Eduardo disse...

No Brasil pedromina o ato de colocar flores no túmulo da ente querido morto geralmente em datas especiais como o aniversário do morto, natal, dia dos pais(1º domingo de agosto), dia das mãe(1º domingo de maio) e finados; fazer rezas em Igreja ou templos evangélicos após 7 º dia 1 mês e 1º ano de falecimento.
Baseiam-se mais no costume europeu.
Inclusive existe a piada do brasileiro que vê o japonês colocando comida p/ seu ente querido ao lado da tumba do ente querido brasileiro, no cimitério em que o brasileiro diz:"Ele já morreu e não tem como ele comer esse arroz que está dando para ele", assim o japonês responde:"nem ele tem como cheirar essas rosas."

yukipoa disse...

Obrigado pelo comentário.
Os japoneses também colocam flores no túmulo.
Não sabia sobre essa piada.
;)

Adriano T Cardoso disse...

Olá, meus amigos da seicho no ie tem altar para os antepassados em casa.
O tratamento com a pessoa falecida varia de acordo com a religião.É dificil falar>> no Brasil, acontece assim sempre varia muito.

Nana disse...

Bem, aqui com a minha família, em que a metade é agnóstico, outra Ateu e uma minoria evangélico, a gente deu uma forma de lembrar nossos entes queridos sem desrespeitar a crença de ninguém =D

Uma vez por mês a família se reúne no cemitério onde nossos entes estão, deixamos flores, contamos as novidades (sim, nesse quesito tratamos como gente viva ^^), apresentamos novos membros da família, fazemos aquelas declarações apaixonadas e cheias de saudade =)

E isso acaba sempre sendo bom pra própria família, a gente se reúne. Depois de um tempo, se reunir ao lado de quem já nos deixou tornou-se algo bom pra todos.

MiriamK disse...

Eu vi o filme A Partida e fiquei emocionada. Um jeito interessante de tratar a morte dos 2 lados: família e profissional do ramo (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/06/06/anatano-oto-san/).
Qto aos que perdi, só lembro dos ensinamentos, das coisas boas. Consegui purgar o "feio'. E para mim tem de fazer em vida, não importa a doutrina. O que vier depois é ganho.

Diana disse...

Quando alguém querido morre, a família católica manda rezar uma missa quando se completa 7 dias (missa de sétimo dia) onde alguns amigos e parentes vão dar os pêsames á família. Depois há uma missa quando se completa 1 mês mas só a família vai e depois faz-se missa de ano em ano. Meu pai morreu quando eu tinha 5 anos então me marcou muito todas essas tradições católicas, depois morreu meus avós e se repetiu tudo de novo...é o ciclo da vida, uns vãos outros ficam.

Logo que eu cheguei no Japão, um dos chefes de meu marido morreu, teve o velório na casa dele, após teve tipo uma procissão com o corpo através das ruas e da fábrica e só depois cremaram o corpo.
No crematório de komagane tem um limite de 6 cremações por dia então as pessoas que morrem tem que esperar abrir vaga no crematório, o corpo de uma senhora já está desde terça esperando para ser cremado. Acho estranho isso >.<

yukipoa disse...

Obrigado pelos comentários.
No Japão també, se seguir a tradição, precisará chamar monge em cada 7 dias após a morte.
Normalmente os japoneses acabem omitindo esses rituais hoje em dia.
Só que 49 dias depois da morte é dia especial, porque é o dia em que o espirito da morta vai partir deste mundo realmente e a família poderá começar a atividade cotidiana que era limitada por causa da morte na família...
Cada país tem seu modo de enfrentar a morte,ne?
;)

Vinicios disse...

Quando a minha avó faleceu eu fui até o Japão para o enterro, eu não sabia nada, só sabia que iria ser cremado. Eu nasci aqui no Brasil e sempre vivi aqui. Meu Deus, era tudo diferente, tinha que dar banho no corpo da falecida. Não sei o porque, se era para purificar o corpo antes, não fiquei perguntando achei que seria chato. Depois de cremar a familia recolheu as cinzas, tinha uns pedaços de ossos que recolhia com um hashi... É de passar mal.

Hugo disse...

Ah esses costumes eu nem lembro, são diferentes dependendo da familía eu acho.
Na minha família fazia mais ou menos como você escreveu, mas tinha outras coisas também.
Quando fui visitei o haka da minha família em Okinawa eu nem imaginava que aquilo era haka, é diferente dos outros lugares do Japão.Eu já havia visto aquele haka em fotos que tinha no Brasil, mas nem sabia que era haka.

Julia-Sama disse...

Eu ja enfrentei a morte do meu pai, que foi a dois anos.
Acho que alem de "uma preocupação com a vida em vez da morte" o brasileiro não tem o costume de lembrar dos antepassados.

É triste mesmo, mas eu diria que só fui a cemitérios em velôrios. Mas eu sinto uma paz, lá ou em casa. Acho que tenho uma grande aceitação da morte.

Tayzun Yamato disse...

Bem no Japão permanece as características com relação ao budismo se vemos por outro lado que apenas 25% da população japonesa da valor a religião o numero de pessoas, que se dão ao trabalho de fazer uma pequena espécie de cerimonia religiosa são muito poucas, 75% da população e irreligiosa não exerce religião, enquanto se compararmos ao Brasil isto esta completamente longe de acontecer religião chega ate ter aspectos de fanatismo absurdo, como são os casos do protestantes no Brasil, você pode observar escândalos imensos dentro das igrejas parecem ate que estão matando alguém a coisa beira a loucura, a diversidade religiosa no Brasil e consideravelmente não muito grande, pois sua grande maioria são cristões, católicos ou protestantes, ortodoxos acho que não existem quase nenhum sem contar a pequena a população de índios coisas e por a e, posso resumir que as maneiras de se comporta quando um parente próximo se foi ou alguém se foi são imensamente diferentes no Brasil porem tem sua predominância em uma que são as missas, o caixão e levado para igreja rezam-se bastante em seguida segue para cemitério após isso muitos vão visitar a pessoa no túmulo deixam flores acendem velas e rezam bastante. Em outros casos no Brasil funeral pode virar uma completa comédia por estranho que aparente ser sim, pessoas fazem festa nos funerais não na intenção de comemorar a morte apenas servem algumas comidas chá e por a e vai, o problema e quando começam a "amundiçar" vão na mesa se enchem de comida ate umas horas, e não tão nem a e pra quem morreu alguns chegam fazer perguntas consideradas inadequadas para ocasião como, quem morreu e de que morreu? Da para acreditar esse nem deveria estar no funeral parece que vai só pra comer nem respeito pelo indivíduo em óbito tem se brasileiro não aprende a ser gente civilizada. A dose de educação sempre cairia bem. Com tudo Brasil e um país imensamente religioso, mais existe sua parte pouca religiosa também, algumas vezes sim pessoas matam, pessoas morrem ninguém liga, enterra e pronto. Falo do Brasil mais já vi casos parecidos do Japão como de alguns suicidas, a vida já e uma infelicidade total a beira do suicídio ninguém acolhe da um carinho ou compaixão simplesmente pulam da ponte e ninguém liga esses geralmente perderam suas famílias ou são odiados por elas ou possuem tantos problemas que as pessoas tendem a se afastar dela por a e vai inúmeros motivos(EO QQ ISSU TEM HAVER?, bem quando se trata de morte logo se trata de religião ou pelo menos a coisas esotéricas). Ainda não perdi alguém próximo mais minha atitude seria a seguinte, não preciso me recorda de ninguém que morreu por que simplesmente acho que se essa pessoa me influencio já carrego características dela pro resto da vida como tudo que agente faz na vida não e nada mais do que uma mera influencia da sociedade considero isto um aspecto comportamental e digamos que metafísico para com alma do indivíduo como sou um filosofozin aprendendo ainda sobre a morte tem varias ideias ainda não concluídas muitas não tem nexo algum(a visão daquele leigo no assunto) Morte ainda hoje e tema polêmico os seguidores da doutrina espírita tem muitas ideias sobre ela bem agora me imaginando caso eu fosse ateu simplesmente díria(morreu morreu a minha vida continua fuisx) .

Anônimo disse...

Hoje, por coincidência dia de Finados que li seu post...
Não sigo nenhuma religião, tb não sou ateu.
Tenho costume de visitar o túmulo dos meus pais e das pessoas queridas com certa frequência. Tenho fé de que a morte não é fim, talvez seja o começo de uma nova jornada, trata-se de uma convicção pessoal.
Tb concordo com a sua avô, rezar e conversar com as pessoas que já partiram é uma forma de manter viva a lembrança. Como não sabemos quando será a partida das pessoas queridas que poderá ser hoje, amanhã ou daqui há muitos anos é muito importante tratar com carinho essas pessoas, por elas e por vc tb.

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