quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Por que empresas brasileiras não fazem que nem empresas japonesas!?

  Ao caro leitor

  Hoje eu gostaria de lhe apresentar quais estratégias as empresas japonesas adotam para fazer negócio nos exteriores.

  Quais são empresas brasileiras reconhecidas mundialmente?

  Petrobras, Vale do Rio Doce,Embraer......

  As primeiras duas são do setor primário ( 第1次産業 ). A primeira é meio estatal e a segunda é privatizada.E a última é da aeronáutica, que é o setor bem específico.

  O que estão em comum entre elas é que os clientes delas não são consumidores comuns.

  Para elas venderem seus produtos aos clientes estrangeiros, não há necessidade de instalar fábricas nem filiais nos países estrangeiros.Basta mandar seus funcionários aos países para fechar negócios.

  Qual língua vai ser utilizada no negócio?

  É inglês, independente do país onde funcionário brasileiro for.Se souber falar espanhol, seria perfeito.Só que quem tem vocação para idioma entenderia espanhol sem estudá-lo graças às semelhanças com português.


  Ou seja, para um brasileiro conseguir se destacar no cenário internacional, basta saber apenas inglês praticamente, além de precisar saber bem sobre o que se trata no seu ramo.

  Por outro lado, como eu já tratei num post, o Japão é um país pobre onde não tem recursos naturais.Portanto, as empresas japonesas precisam importar recursos naturais dos países ricos como Brasil e Estados Unidos e transformá-los em produtos industrializados para vendê-los aos países “ricos”.

  Por falar em empresas japonesas, Toyota,Honda, Sony e Panasonic são marcas japonesas bem reconhecidas, que vendem seus produtos aos consumidores comuns no mundo inteiro,não é?

  No entanto, além dessas empresas, Sogo Shosha ( 総合商社 ) também é um tipo de empresa peculiar que se destaca na cena internacional, apesar de que consumidor comum como eu e vocês não reconhecemos suas presenças no dia a dia.

  Aliás, você já ouviu falar Sogo Shosha?

  Não é fácil explicar ao respeito em poucas palavras. Contudo, digamos que é um tipo de empresa que trata de tudo em relação aos negócios, desde a compra dos materiais até a venda dos produtos finais.O que Sogo Shosha trata é todos os produtos que você pode imaginar, desde Cup Noodles até foguete, inclusive serviços.


  Segue a lista,na qual mostra em quais empresas universitários japoneses a serem formados em 2014 queria trabalhar( Fonte : Diamond Syukatsu Navi 2014 ).

Homem de ciência humana
Homem de ciência exata
1
Mitsubishi Shoji
1
JR Higasi nihon (ferrovia)
2
Sumitomo Shoji
2
Hitachi
3
UFJ (banco)
3
Sumitomo shoji
4
Itouchyu Shoji
4
NTT Data ( TI )
5
Tokyo Kaijyou (seguro)
5
Toshiba
6
Marubeni
6
Lotte
7
Mizuho (banco)
7
Mitsubishi
8
Mitsuisumitomo (banco)
8
Marubeni
9
UFJ shintaku (banco)
9
JR Tokai (ferrovia)
10
Mitsui Bussan ( construtora )
10
Itochyu Shoji

   (Quem quiser saber sobre como universitários japoneses arrumam empregos, pode verificá-lo no seguinte post.)

  As empresas com cor vermelha na lista acima são Sogo Shosha. Deu para notar sua grande popularidade entre universitários tanto da ciência humana quanto da ciência exata,ne?

  Então, o que as empresas japonesas citadas acima e Sogo Shosha estão fazendo ao fazer negócios no exterior?

  • Negociar sobre terrenos e condições financeiras com políticos locais.
  • Instalar fábricas ou filiais.
  • Contratar funcionários locais e dar treinamento para eles.
  • Construir redes de vendas dos produtos.

  Diferente da época em que os funcionários japoneses mandados do Japão controlavam quase tudo desde a produção até as vendas dos produtos, hoje em dia fazer diretores estrangeiros administrarem quase tudo está ficando prática mais comum adotada pelas empresas japonesas.

  Mesmo assim, as empresas japonesas ainda mandam funcionários japoneses para exteriores, pois pensam que formar certo número de especialistas em cada país é uma estratégia indispensável ao vender produtos no mundo inteiro.

 
  Portanto, essas empresas japonesas mandam funcionários novos,cuja faixa etária é de 25 até 30 anos, que já trabalharam entre 4 e 8 anos no Japão,para países estrangeiros.  E eles estudam o idioma local durante 1 ano no país como se fosse estudante.O bom é que eles continuam recebendo salário normal no exterior, além do custo para hospedagem e estudo na escola.Após 1 ano de estudo no exterior, eles precisam trabalhar durante alguns anos junto com funcionários locais numa das filiais instalados no país utilizando o idioma estrangeiro que aprenderam.

  Apesar de que há muitos filiais e fábricas das empresas japonesas em São Paulo, muitas empresas mandam seus funcionários para Porto Alegre, para que eles consigam aprender português melhor afastando eles da comunidade japonesa, onde se pode viver tranquilo sem falar português.

  Em Porto Alegre, UFRGS oferece o curso de português para estrangeiros. A maioria dos japoneses mandados pelas empresas japonesas faz inscrição para este curso.


  Eu também fiz este curso há mais de 10 anos.Na época, tinha muitos alunos oriundos dos países da america latina na sala de aula.Eles falavam “portonhol” fluentemente. Dizem que há mais coreanos e chineses do que japoneses no curso nos últimos anos.

  A maioria dos alunos japoneses mandado pelas empresas abandonam o curso depois de frequentar durante 1 mês ou 2 meses no máximo.Como a aula é dada em grupo, há pouca chance de conversar com professor e o rítimo do curso é bem lento.Em um ano,eles precisam chegar pelo menos no nível intermediário em que podem se comunicar com os brasileiros no negócio sem nenhuma dificuldade.Não têm tempo de ficar curtindo intercâmbio.Portanto, eles optam pela aula na escola privada ou pela aula particular, onde eles podem melhorar seus desempenhos de maneira mais eficiente, em ritmo mais acelerado.

  Eu tenho uma dúvida.Será que há sistema parecido de qualificar seus funcionários nas empresas brasileiras ou nas empresas de países ocidentais?

  Eu sei que algumas empresas brasileiras dão auxílios para seus funcionários fizerem cursos de especialização ou de idioma estrangeiro.No entanto, é difícil imaginar que uma empresa brasileira vai dispensar um funcionário do trabalho para ele estudar um idioma estrangeiro durante 1 ano no exterior, além de pagar todas as despesas e salário.


  Eu penso assim porque em geral brasileiro não tem fidelidade à empresa.Muitos brasileiros não hesitam de trocar empresas caso eles receberem uma proposta melhor,não é?O pior é que investir na qualificação de um funcionário é muito risco para empresa no Brasil.

  Na verdade, até esses funcionários japoneses também são obrigados a assinar no contrato no qual o assinante declara que continua trabalhando na empresa pelo menos 5 anos depois do término do estudo no exterior, o que evita o abuso do sistema por parte do funcionário.

  Bom.Vender produtos ou serviços não é simplesmente transferir produtos de um lugar para outro lugar ou prestar serviço aos cliente de qualquer jeito.

  O que se deu certo no seu país natal nem sempre dá certo no outro país.Para saber a demanda local, precisa se viver no local comendo mesmas coisas que as pessoas locais comem.O idioma é uma ferramenta importante, com o qual pode se comunicar com pessoas e adquirir informações necessários.

  Por isso mesmo, eu acho muito bom esse sistema adotado pelas empresas japonesas.

  O que você acha disso?E o que as empresas brasileiras podem vender para exterior além dos produtos primários daqui para frente e como pode realizá-lo?

  ;)


Comentários
8 Comentários

8 comentários:

Ricardo T. K. disse...

acho que uma das últimas empresas que se instalou no Brasil foi a Kirin, fico imaginando os Japoneses chegaram a um ano antes de qualquer coisa e ficaram tomando umas cervejas nos butecos para aprender "o que o brasileiro gosta". servicinho bom esse ,rs.

ImpMontezuma disse...

Olha nem sei porque o Brasil não faz isso... Mas será que não faz mesmo? Sinceramente eu não sei, to meio por fora desse ciclo ^^"... Mas também o Brasil não tem tantas empresas nacionais grandes o suficiente pra poder bancar isso (pelo menos não quando se comparado ao Japão). Mas de modo geral... Pode ser uma falta de visão dos empresários brasileiros mesmo... Foi uma observação boa que você fez Yuki ^^
PS: HA! Só uma pequena correção, é Embraer não Embrael ^^"

Sascha disse...

Eu trabalho em um banco brasileiro que possui um escritório no japão e oferece aos funcionários a oportunidade de estudar japonês por um ano lá em curso de imersão, assim como você escreveu. Mas para obrigar o funcionário a não abandonar a empresa só funcionários que ocupam cargos muito altos têm direito a essa oportunidade (pelo menos altos o suficiente para eles não imaginarem mudar de emprego)

yukipoa disse...

Obrigado pela informação.
Na verdade, o banco é uma exceção,pois praticamente a única função do banco brasileiro no Japão é transferir dinheiro ganho pelo descendente de japonês que trabalham no Japão para o Brasil.
;)

Matheus Bonatto disse...

Pois então, eu estava no google procurando uma explicação sobre o "v sign" que os japoneses fazem nas fotos e encontrei o teu blog. Vivi um situação parecida, onde um amigo japonês veio fazer exatamente o que tu citaste: estudar português 1 ano em POA por intermédio de uma empresa japonesa e trabalhar na filial aqui no país. Hoje ele está em São Paulo, trabalhando com pessoas locais e já é fluente na língua (por ironia no Banco Mizuho, também citado no post). Foi uma grande experiência tanto para mim (por tê-lo conhecido), quanto para ele (por estar aqui vivendo este grande desafio).

Serena disse...

Estas empresas pelo que entendi seriam uma versao moderna da Companhia das Indias Ocidentais. Nao sao fabricas ou produtoras. Sao intermediarias, exportadoras e importadoras, com funcoes financeiras e politicas. Precisariamos ter herdeiros dos administradores das capitanias hereditarias em conjunto com os descendentes de Dom Pedro e dos barões do café se reunindo na sede da FIESP e com a sede da Republica em São Paulo. Criar um Ministério de patentes em SP ligado as maiores empresas e universidades. Não haver voto direto para presidente alternado -se no poder seguindo a política do café com leite. Ou seja, por diferenças no caminho histórico percorrido não há este tipo de empresa fora do Japao.

Anônimo disse...

As 3 empresas q vc citou tem capital aberto S/A, eu tentei entrar em algumas dessas empresas tipo a Whirlpool, Unilever e etc.. É td plano de carreira e tem que começar de baixo pelo trainee e ir passando por vários setores. Só o teste de trainee vc precisa ter um inglês mto afiado, a prova era nível de Toefl ou Toeic. Então eu acho que nem precisaria mandar alguém aprender inglês em outro país se todo mundo que entra já tem q saber um inglês avançado.

Anônimo disse...

Tenho um conhecido que concluiu todo o ensino médio e parte do ensino fundamental por uma espécie de convênio entre a empresa em que ele trabalhava e um grupo de professores de cursinho pré-vestibular. Também conheço outra pessoa que ganhou da empresa em que trabalhava, dois cursos de aperfeiçoamento. Claro que em ambos os casos meus conhecidos tiveram que assinar um contrato, o qual dizia que estavam impedidos de deixar a empresa em determinado prazo. Mas nunca ouvi falar de empresas que enviam seus funcionários ao exterior e ainda custeiam os gastos...

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