segunda-feira, 25 de junho de 2012

Vídeo-conferência para estudar uma língua estrangeira!?

  Ao caro leitor

  Você estuda alguma língua estrangeira?

  Sim!?

  Por que você está aprendendo essa língua?

  É apenas passatempo ou para conseguir arranjar bom emprego no futuro?

  Que seja, eu imagino que é difícil de ter oportunidades para se comunicar com os nativos da língua que você está aprendendo na sua cidade.


  Em 1995,eu me formei em letras da Universidade Federal de Tsukuba do Japão, cujo objetivo era formar professores de japonês para estrangeiros.

 
  Quando eu era estudante, eu estudava várias disciplinas tais como gramática de japonês, a história do Japão, culturas tradicionais do Japão, método de ensino da língua japonesa, entre outras coisas. 

  Só que tudo era teoria e não aprendi nada de prática.

  Por falar a verdade, eu queria dar aula de japonês para alunos estrangeiros na sala de aula, pois eu acreditava que foi só assim que eu poderia me tornar professor de japonês.

  Aprender só teoria era muito chato e eu fui perdendo o interesse pelo estudo e nem sabia que tipo de conhecimento eu precisava estudar mais por falta de experiência.

  Universidade de Tsukuba é uma das universidades que têm maiores número dos alunos estrangeiros do Japão (1356 alunos em 2008). No entanto, a maioria dos alunos estrangeiros já sabia falar japonês muito bem antes de vir à Japão.


  Como eu assumia o cargo de tutoria que cuidava dos alunos estrangeiros, eu tinha mais contato com alunos estrangeiros comparando com outros estudantes comuns. Mesmo assim, esses alunos não serviam para atender ao meu desejo de dar aula de japonês.

  Na última visita à Japão em janeiro de 2011, eu fiz a palestra sobre o ensino de japonês no Brasil para os estudantes das letras da Universidade de Tsukuba, como eu já escrevi num post neste blog.

  Na ocasião, eu já tinha proposto uma parceria entre Universidade de Tsukuba e Instituto de Cultura Japonesa da PUC-RS para a presidente da Letras, que era minha orientadora na época em que eu estudava lá.

  Eu propus isso porque eu achava que intercâmbio entre os estudantes das duas universidades poderá beneficiar os dois.

  Como os professores de lá gostaram da minha ideia, nós decidimos fazer vídeo-conferência como primeiro passo para futura parceria entre duas universidades.

  Desde então, acabamos demorando quase 1 ano e meio até a realização do evento.Contudo,nós realizamos o vídeo-conferência no dia 20 de junho na sala de curso à distância da PUC.

  7 estudantes japoneses e 15 alunos brasileiros participaram nesse vídeo-conferência. Depois que eles se apresentaram em japonês, todos os estudantes japoneses fizeram as pequenas apresentações individualmente sobre as coisas da vida cotidiana dos estudantes em japonês, utilizando as fotos e slides preparados,etc.Durante essas apresentações, nós trocamos ideias fazendo perguntas mutualmente.

   
  Eu acredito que este vídeo-conferência foi muito gratificante para os dois lados.Como eu lhe expliquei acima, os estudantes japoneses não têm oportunidade de dar aula de japonês para estrangeiro nem de conhecer alunos iniciantes como esses alunos que participaram nessa vídeo-coferência.

  Fazer apresentação sobre vida cotidiana no Japão não é igual ao dar aula de japonês para alunos estrangeiros.Entretanto, quando eles estavam escolhendo temas e estava preparando matérias para apresentações, devem ter pensado em várias coisas tais como temas adequados, vocabulário mais fácil e gramática mais simples,etc, para que suas apresentações sejam mais compreensíveis e interessantes para os alunos brasileiros daqui.

  Eu acredito que tudo isso fez com que os estudantes japoneses crescessem para que eles sejam bons professores de japonês no futuro.

  Por outro lado, assistir apresentações feitas pelos estudantes japoneses e interagir com eles através das perguntas simples devem ter motivado os estudos dos alunos brasileiros bastante.

  Apesar de que os alunos em geral têm bastante contatos com a cultura japonesa através do anime, manga e novela, a grande maioria não tem contato pessoal com japonês nativo aqui em Porto Alegre, onde residem muitos poucos japoneses.

  O único japonês nativo que eles têm contatos seria eu e outra professora do Instituto de cultura japonesa.

  Os alunos podem melhorar seus desempenhos comunicando comigo só em japonês. No entanto, eu não vou servir como um nativo que nem esses estudante japoneses, pois nós nos já conhecemos bem.

  A comunicação real só acontece entre as pessoas desconhecidas, pois assim eles tentam buscar informações necessários do outro de qualquer jeito. Neste sentido, 7 estudantes japoneses que ninguém tinha conhecido criaram um ambiente de comunicação real.

  Durante a vídeo-conferência,tanto estudantes japoneses quanto alunos brasileiros ficavam muito nervosos, já que eles nunca tiveram experiência assim. Pelo que eu observei,especialmente os alunos brasileiros pareciam mais nervosos, pois tinham medo de falar japonês errado.


  Na hora de falar uma língua estrangeira com nativos, o que é mais importante é tentar se comunicar  sem medo de falar errado.Os nativos sabem que um aprendiz de uma língua pode cometer erros gramaticais e usar vocabulários inadequados e eles são generosos em relação ao isso. É claro que é melhor falar uma língua sem cometer nenhum erro. Contudo, o que é pior é não falar nada pelo medo de cometer erros.

  A língua é uma ferramenta maravilhosa com qual podemos comunicar com as pessoas que falam essa língua. No entanto, falar uma língua estrangeira corretamente ou tirar nota boa nas provas jamais serão nossos objetivos finais do estudo de uma língua estrangeira.

  Não têm oportunidade de usar a língua que você está aprendendo por acaso!? Se não tiver, basta criar essa oportunidade como vídeo-conferência.

  Por último, eu lhe pergunto de novo.

  Por que você está aprendendo uma língua estrangeira??

  ;)



Comentários
12 Comentários

12 comentários:

Pedro de Morais disse...

Olá Yuki.
Eu estudo alemão, já morei na Alemanha, e já fiz videoconferências em alemão também. Apesar dessa ser a língua mais falada na Europa, o alemão tem um número menor de falantes nativos que o Japonês:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_l%C3%ADnguas_por_total_de_falantes
Confesso que não tenho nenhum motivo específico para falar alemão, além da minha descendência. Talvez por isso eu não aprenda muito.
Nisso a língua alemã e japonesa são muito parecidas. Ambas têm um número grande de descendentes que não as falam. O que pode ser verificado na dificuldade de aprendizado de alunos nas colônias japonesas e alemãs.
Falar uma língua estrangeira não é uma atividade convencional, é algo que engloba vários aspectos culturais e sociais.
Você não acha que o ensino de línguas no Brasil seja precário?
Pelo fato do Brasil ser muito grande, e fronteiriço com países de língua espanhola, ou seja, você pode viajar se comunicando só com sua língua materna. Acredito que esta "acomodação" linguística também aconteça no Japão, por ser um país insular, onde as pessoas preferem viajar dentro do próprio país, acabam não tendo necessidade de falar mais de uma língua.
Há alunos que estudam durante vários anos uma determinada língua, sem de fato aprender a falar.
Acredito que para vencer estes aspectos o uso de videoconferência ,assim como intercâmbio, seja muito eficiente.

Nilton disse...

Oi Yuki-san.
Muito legal o post!
Eu estudo atualmente 4 idiomas: ingles, japones, chines e coreano.
Eu quero conseguir falar no minimo uns 10 idiomas para poder comunicar-me com muitas pessoas.
Eu estudo Japones porque quero estudar e viver no Japao. Estudo Coreano porque tambem quero viver na Coreia do Sul e tambem vou tentar estudar la depois de formar no Japao. Estudo ingles por ser a lingua universal. E estudo chines por ser a lingua mais falada no mundo.
Porem, eu comecei a estudar coreano e chines a pouco tempo e por isso nao sei quase nada ainda, mas nao vou desistir. o/
Quanto ao japones e ingles, alem de estudar a mais tempo, eu consigo colocar em pratica conversando com amigos e colegas que nao sabem falar bem o portugues e moram aqui em BH.

yukipoa disse...

Obrigado pelos comentários.
Muitos alunos meus relatam que o ensino de língua estrangeira no colégio brasileiro é muito precário.
Portanto, eles precisavam aprender idioma na escola de idioma.
Por outro lado, os japoneses podem aprender inglês muito bem mesmo no colégio, se esse colégio for de nível alto.
Só que infelizmente nem eles aprendem falar inglês bem.
;)

Anônimo disse...

Qdo eu era pequeno eu fazia aula de japonês, cheguei a fazer aquelas provas, eu não lembro direito, para conseguir escolaridade do Japão eu acho.

Se eu não me engano foi no kaikan da Liberdade, tinha bastante gente fazendo essa prova.

Como é que funciona isso, tipo se ir passando seria como se passasse de ano no Japão, com certificado e tudo né?

Jonas disse...

Olá Yuki,

Ao Anonimo de cima, a prova é Nihongo Nōryoku Shiken (Avaliação de Proficiência na Língua Japonesa), tem cinco níveis, sendo o nível 5, o mais básico e o nível 1, o mais difícil.
Pelo que eu sei, para um estrangeiro ingressar numa universidade japonesa, precisa no mínimo do nível 2.

Bom, video conferencia é uma maneira muito bacana que as escolas de idiomas, colégios, universidade e também nas empresas para promover o "intercambio", mas poucas investem nesta tecnologia, que é uma pena.

ATT

Betão disse...

Já fiz essa prova, passei em duas, acabei não continuando até o final pois a minha professora foi morar no Japão.

Anônimo disse...

quando chega etios da toyota?

Diana disse...

Estou estudando japonês pelo JICE e estou adorando aprender japonês com nativos. Não quero depender dos outros para me comunicar no Japão e acho péssimo o comodismo que algumas pessoas tem em depender dos outros para quase tudo por causa da língua. Tem gente que mora no Japão há 20 anos e é dependente de tradutor...acho um absurdo!
Antes fiz curso de inglês e hoje falo fluente. Aprender algo é sempre bom, conhecimento é a maior herança que se pode deixar para os filhos.

Teshima disse...

Do JLPT, esse ano vou fazer o N3, é muito difícil sensei?

Renato Kunz disse...

Excelente post.

Eu estudo inglês primariamente por ser uma linguá muito usada universalmente e segundo pelas exigências do mercado de trabalho, pretendo aprender alemão por que a Alemanha é um país muito influente na área em que quero trabalhar. Futuramente gostaria de estar aprendendo japonês e árabe, quando tiver tempo.Pois o alfabeto usado é muito diferente do nosso e fico agoniado em ver aqueles símbolos sem fazer ideia do que é cada coisa.

Vanessa Bê disse...

Olá! Eu sou surda ( praticamente surda ) e estudo Japonês na PUC-RS; Sou apaixonada por essa língua, pela cultura Japonesa, o qual busco aprender mais! Infelizmente, não tenho com quem praticar por aqui. Tenho apenas a minha perseverança! Pretendo, no futuro, ir ao Japão, e aprender a Língua de Sinais Japonesa, e quem sabe, fazer uma ponte entre as duas culturas, ser professora de Japonês para surdos, ou mesmo para os que ouvem, quem sabe? De qualquer forma, mesmo sendo surda, sei que sou uma das poucas pessoas que, tendo essa limitação se dispõem a isso. Para mim, é uma questão de grande responsabilidade... ! :D

yukipoa disse...

Obrigado pelo comentário,Vanessa.
Eu admiro sua vontade de aprender japonês mesmo sendo surda.
Eu acredito que não é nada impossível neste mundo contanto que tenha paixão por alguma coisa e se esforça para isso.
Espero que abre uma porta nova para outras surdas que querem aprender japonês e outras coisas também.
;)

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