sábado, 7 de janeiro de 2012

Universitários japoneses estão ficando cada vez mais burros!?

  Ao caro leitor

  Você já se formou na universidade?

  Até há pouco tempo, ter diploma da graduação foi a melhor maneira para você conseguir arrumar bom emprego nas empresas reconhecidas, ne?

  Só que ultimamente todo mundo começou a perceber que não basta ter curso superior hoje em dia tanto no Japão quanto no Brasil.

  Como você sabe, no Japão, foi difícil de entrar na universidade e foi fácil de se formar, ao contrário da situação no Brasil.

  Entretanto, esta tendência tem mudado completamente nos últimos 10 anos.


  Você acha que a maioria dos japoneses é inteligente por acaso?

  Se você achar sim, você precisará mudar sua ideia.

  Porque na verdade os universitários japoneses estão cada vez mais burros hoje em dia.

  Gostaria de lhe explicar porque está acontecendo isso lá.

  Há três fatores principais, com quais explicam a situação lamentável dos universitários no Japão.

  1. Fundações das muitas universidades particulares novas nos anos 90

  Como o número de estudante que ingressava nas universidades estava aumentado cada vez mais nos anos 80 e 90, quem almejava ganhar dinheiro em cima dos universitários começou a fundar novas universidades particulares na época.

  Você pode imaginar o que acontece quando há mais oferta do que demanda, ne?

  O nível do universitário despencou radicalmente. Ou seja, quem não tinha mínima condição de estudar na universidadede estava lá, pagando mensalidade caro para aprender nada...

  Infelizmente eu tenho observado a mesma coisa no Brasil agora. O governo brasileiro está autorizando a fundação de muitas universidades particulares e está permitindo a transformação de escola técnica na faculdade.

  Ainda por cima, o governo brasileiro está criando novas universidades federais e novos cursos nas universidades federais existentes, o que comprometeria a administração do orçamento do país no futuro.

  Será que tem tantos brasileiros que tenha condições de fazer curso superior? Não adianta só investir no terceiro grau se não melhorar o base : ensino fundamental.

  2.  Queda de número de jovens


  Ao dar uma olhada na pirâmide da população pela faixa etária acima, você vai notar o seguinte.

  O número de jovens está diminuindo cada vez mais, o que é uma consequência da taxa de fecundidade baixa ( 1.39 por casal em 2010).

  Como eu lhe expliquei no item 1, o número de vagas na universidade aumentou ao longo do ano 80 e 90. 

  Por outro lado, o número de jovens começou a diminuir a partir do início do ano 90 e o número de jovens com a idade de 18 diminuiu quase pela metade em 10 anos.

  Como os japoneses são inteligentes, ne?

  Não são só os políticos brasileiros que não pensam no futuro. Os políticos japoneses também não planejam a educação ao longo prazo.

  3. Implantação da educação com menos cobrança ( Yutori Kyouiku )

  Até início dos anos 90, a procura por vaga nas universidades no Japão era tão grande que se chamava de “Guerra de vestibular” na época.

  Para melhorar a situação, o ministério da educação no Japão deu ênfase na aprendizagem geral com raciocínios em vez de aprendizagem por meio da memorização dos muitos conhecimentos.

  O governo tomou várias medidas para que esta medida de certo.

  Em primeiro lugar, diminuiu o número de dias que aluno frequenta escola.

  Na minha época, aluno do ensino fundamental ia à escola de segunda-feira até sábado. Tinha turno integral de segunda até sexta e meio turno nos sábados.

  O governo simplesmente cortou a aula nos sábados justificando que alunos podem ficar menos carregados dos estudos sem aula nos sábados e podem aproveitar mais a vida. Só que ao contrário do que o governo pensava, havia muitos paises que colocavam filhos na escola de reforço nos sábados, o que não adiantou nada.

  Em segundo lugar, diminuiu quantidades das matérias e cobrou menos conteúdos em cada matéria.

  Como diminuiu o ritimo da aprendizagem em cada ano no ensino fundamental, o professor precisava mandar alunos usarem 3 como o valor de π (Pi) em vez de 3.14 ao calcuar na matemática em alguns casos, o que eu acho absurdo.

  A imprensa japonesa destacou isso como consequência negativa da educação com menos cobrança e o valor de π (Pi) se tornou o maior alvo crítico na época.

  Aliás, devido à esta medida, surgiu muitos universitários que não aprenderam física ou química suficientemente até na universidade tóquio, que é considerado como a melhor universidade no Japão.

  Nessa altura, o governo japonês refletiu sobre isso  começou a tomar medida contra a educação com menos cobrança ultimamente.

   Apesar de ter várias definições ao respeito, os japoneses que têm idade menos de 24 poderiam ser considerados como uma geração que recebeu esta educação.E pode ser japoneses diferentes que você imagina.

  Talvez esta lição amarga do Japão possa ajudar melhorar a educação no Brasil

  ;)



Comentários
13 Comentários

13 comentários:

Teens Gospel disse...

Olá, eu acho que esse não é o post para essa pergunta mas e estou querendo saber, você tem algum site que considera bom para começar a aprender japones? e sobre aprender, primeiro tem que aprender Hiragana, Katakana ou começa aprendendo"ohayo é bom dia, arigatou é obrigada e etc"?
Grata pela resposta.

VIctor Tufani disse...

Oi! Adoro seu blog, é muito legal!

Acho que a ideia que os brasileiros têm dos japoneses é mesmo a de que eles são muito inteligentes.
Eu quero se professor e já li algumas coisas sobre a educação no Japão, acho que o Brasil poderia utilizar algumas coisas usadas lá.

Quanto às universidades, não imaginava que lá tivesse tantas faculdades particulares, como nós temos aqui...

Luiz disse...

Não ligo muito para essas coisas de educação formal...

Por mais que deixem difícil entrar em universidade e que os cursos sejam difíceis, isso não muda nada

Ser inteligente é diferente de ser esperto

Precisamos de pessoas espertas

E esperteza não se ensina, se adquire com a vida

Abraços!

Anônimo disse...

Sempre tive curiosidade a respeito das universidades japonesas.Por exemplo,observei que nas aulas muitos dormem,e o professor nao pode
brigar?

Reginatto disse...

Muito interessante, gosto muito do seu blog.
Bem, eu achava que a faculdade no Japão era algo impossível de dificil hehehe.
Eu concordo que as bases são fundamentais para qualquer estrutura, e com o estudo é igual, uma pessoa que se preparou bem no ensino médio está mais que apta para faculdade.
O governo de qualquer país deveria investir mais na educação na base da formação.
Abraços!

Gustav disse...

Sempre achei que quem se formava em um faculdade privada no japão não teria muita chances de um bom futuro. Por exemplo, aqui onde eu moro temos um grande desprezo por pessoas que se forma privada, não gostam de ir em dentistas que se forma na faculdade privada e assim por diante.

Isso me chocou muito pois sempre consideirei o Japão como um exemplo de educaçaõ, não sabia que estavam passando por isso.

Você teria com fazer um posto sobre o livro Hagakure. Obrigado.

Liziane disse...

Olá Takeuchi san!

Muito pertinente o assunto. Aqui no Brasil o Ministério da Educação quer aumentar a carga horária das nossas escolas (que or sinal é uma das menores do mundo). No Brasil, as escolas só abrem aos sábados quando precisam recuperar carga horária. Eu acho desnecessário aula aos sábados, mas acho muito boa a proposta de aumentar a carga horária.
Ainda assim, quanto ao conteúdo, também acho que o aluno é sobrecarregado com muito conteúdo. O importante é selecionar o conteúdo de acordo com as habilidades que se quer desenvolver para aqueles alunos, afinal esse é o objetivo, e não decorar a matéria.
Eu por exemplo sou professora de História. Tenho como parâmetro de objetivo ensinar meus alunos a questionar a história, e saber se posicionar a respeito dela, comparando com a situação atual (do pais ou do mundo), e faço isso independentemente do conteúdo. Minha ênfase é no objetivo. Por isso os exercícios que eu utilizo para eles são sempre perguntas dissertativas, pois me permite analisar se o meu aluno alcançou o objetivo.
Eu me assusto muito com as escolas japonesas nesse ponto pois vejo que ela é muito conteudista e de memorização. E no meu entender não e esse o objetivo.

Renato Kunz disse...

O Brasil hoje esta preocupado com os números estatístico para ser apresentado internacionalmente, como os orgãos e ongs, como a ONU, que avaliam esses dados pouco cobram da qualidade escolar supõe-se que o país esteja querendo apenas aumentar o número de alunos na educação sem se preocupar com a qualidade, duvido muito que este seja o caso do Japão já que o Japão por muito tempo teve uma educação invejável por muitos outros países.

Acredito muito que o horário integral obrigatório nas escolas ajudaria muito a reduzir a marginalização da população brasileira.

C.F. disse...

Engraçado... tomaram o caminho inverso ao que pensamos ser certo aqui no Brasil, o que reforça a ideia que o melhor é o equilíbrio, e não os extremos.
Mas daí acabaram quase se tornando "americanos". No USA, o valor de gravidade utilizado pra calcular é 10, e não 9,8 m/s². Os alunos podem usar calculadora mesmo nas provas, o conteúdo ensinado é pouquíssimo. Pra se ter uma ideia, a formula quadrática e a equação de segundo grau aqui é ensinada na oitava série, e lá é o capítulo mais difícil de matemática no 2ª ano da high school.
Os americanos vivem uma crise no sistema educacional e eu acredito que seja por causa disso. Há grandes discussões sobre esse tema, tem até um documentário muito interessante no youtube sobre isso também comparando com o sistema de ensino da Bélgica.
Parece que achar o equilíbrio é mais difícil do que parece. Poxa, tirar aulas no sábado eu até entendo, mas PI = 3!?!?!? ¬¬ isso é 10 vezes pior do que g = 10 m/s²

Everton Fujimoto disse...

Não sei se entendi certo, mas criar cursos de tecnologia (que formam tecnólogos) não é transformar curso técnico em graduação. Curso técnico continua existindo e sendo curso técnico, tecnologia, quando a instituição é boa, é tão bom quanto um curso de bacharel.
Sobre criar graduados com pouco conhecimento (o que é diferente de não ser inteligente), o mercado filtra isso, mas ao mesmo tempo, institui um piso salarial baixo para a categoria (e quem se ferra são os que possuem conhecimento).
A base de qualquer ensino não é o ensino fundamental, mas a disciplina. Disciplina percebemos que os japoneses tem muito mais que os brasileiros, mesmo que a qualidade do ensino seja fraca, a disciplina dos japoneses compensa muito isso. Aqui no Brasil a situação, se não for remediada antes, vai se tornar pior que no Japão. Felizmente o próprio mercado está dando um jeito de tirar crédito de determinadas faculdades... (por exemplo, em São Paulo Unip é motivo de piada em qualquer lugar)

CharlesNetto disse...

Agradeço por esta informação em seu post de que: "Universitários japoneses estão ficando cada vez mais burros!?"
Uma vez que alguns anos passados eu fui Segurança Pessoal do Consul Geral do Japão, aqui em Porto Alegre, RS-BR e até então eu desconhecia estes dados descritos em sua postagem e que é bastante informativo e lhe agradeço por partilhar!

Haruka disse...

Acredito que ambos os extremos são ruins.

Achei interessante a medida brasileira de aumentar a carga horária, pois vejo que há muito conteúdo no Ensino Médio. Essa medida entrou em vigor quando eu ainda estudava no primeiro ano e, por conta disso, minhas aulas iam até as 13h. Algumas escolas também começaram a ter aulas no sábado, para cumprir a carga horária. É interessante porque não vejo como passariam todo conteúdo em menor tempo.

Considero os conteúdos obrigatórios no Brasil muito bons, visto que nos aprofundamos em todas as matérias (como alguém comentou, nós aprendemos equação de segundo grau na oitava série aqui, versus os EUA e mesmo Japão que aprendem isso só no Ensino Médio...)

No entanto, notei que nos últimos anos o Brasil tem dado um passo atrás nessa decisão. Uma prova disso é o Enem, que mal exige conhecimento por assim dizer, e sim puro raciocínio. Porém não há como o aluno dissertar sobre um assunto caso ele não conheça bem! A professora de história que comentou aqui e disse que gosta de promover debates entre os alunos e questionamentos sobre o passado e presente certamente deve saber que não há como fazer isso se os alunos não tiverem conhecimento sobre o que, afinal, aconteceu no passado.

Parece que os educadores atualmente estão tentando pular um processo muito importante da educação, que é a base antes de iniciar qualquer debate ou discussão.

É bom ter ambos os lados. Vejo que o Japão por muito tempo deixou de olhar para esse lado do raciocínio, deixando o estudo como algo massante e baseado em decoreba, enquanto aqui no Brasil nós parecemos querer andar ao contrário...

Fiz o primeiro do novo Enem e me decepcionei demais. Não exigia nem mesmo um mínimo de conhecimento de nenhuma das matérias. Bastava ler e saber interpretar, pois todas respostas estavam sempre no enunciado das questões. Isso é triste demais. Cadê o meio termo? ):

Calu disse...

Ola Yuki.
Voce me surpreende como japones pelos temas que propoe sobre seu proprio pais. Acho que pelo fato de estar fora do Japao, voce tem um olhar mais critico e percebe o que os que estao la dentro nao percebem ou nao se atrevem a dizer.
Respondendo a sua pergunta de forma objetiva - Sim.
Nao so universitarios, mas os japoneses jovens em geral, nao sabem mais falar japones, tem cada vez mais dificuldade para ler e escrever os kanjis. E nao para por ai.
Quando voce recebe uma ligacao, saca na hora que e estudante - nao sabe falar ao telefone!
Os estudantes atualmente parecem tapados, nao e burrice, mas uma imaturidade alarmante, uma falta de imaginacao, uma apatia, nao sei como qualificar.
Muitas vezes eu fiz palestras falando sobre a cultura brasileira. As vezes me faziam cada pergunta, que eu nao acreditava que era em serio - muita alienacao!
Eu fico muito preocupada com o futuro do Japao, pois tem poucos jovens e se os jovens que tem, sao assim tao alienados, o que vai ser do Japao?
Soube que um grupo de estudantes de engenharia de telecomunicacoes foi fazer intercambio em uma cidade pequena do interior de Sao Paulo - tinham uma tarefa supervisionada pelo responsavel da companhia telefonica. Por pouco nao causaram uma explosao que poderia ter comprometido todo o sistema de comunicacoes da cidadezinha. O responsavel nao os deixou mais tocar em nada desde entao!
A educacao no Japao e decoreba mesmo, nao e aprender, e decorar. Tem manual p tudo e quando um japinha se ve sem um manual, fica igual barata tonta. Nao tem jogo de cintura por receberem uma educacao que os programa como robozinhos, nao e para imaginar e sim para seguir instrucoes. Sinto pena.
Isso e resultado da educacao que condiciona as pessoas, o objetivo e alienar mesmo. E isso que da seguir o modelo educaional proposto pelos EUA...
As pessoas aqui sempre esperam resposta pronta, nunca tem a disposicao de buscar a resposta ou de experimentar certas situacoes. So sao abertos a experimentar comida, de resto...
A educacao no brasil e tao precaria que nem vou comentar, apenas para aqueles que acham que so no Br e que tem problemas e que os outros paises sao um paraiso, ficarem cientes de que tem problema em qualquer lugar.

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